Eclipse

Fazia alguns dias que não nos estendíamos em nossas longas e habituais conversas ao telefone. Passava das nove e meia da noite quando me decidi a ligar. O primo Fernando sempre diz que não tem hora... Gentileza ou não, aproveitei-me, mas não nos estendemos por mais que uma hora, pois uma tosse desarrazoada, extemporânea, incômoda e persistente cortou o prazer da prosa. Despedimo-nos, com a promessa de continuarmos em outra hora. Momento que pelo jeito não deverá demorar, porque agora pela manhã surgiu uma dúvida em minhas lembranças da casa de vovó Cyomara, onde ambos moramos na infância, em épocas distintas. Bem distintas, pois com a demora da primeira gravidez de minha mãe, esse primo remanescente (foram-se todos os outros), uma semana antes de meu aniversário, agora em setembro, estará completando noventa anos de vida.
Desligado o telefone, a tosse também se foi e nem precisei de xarope.
Saltitei de canal em canal, naquela busca ilusória  por um "bom filme", enquanto aguardava a hora tão decantada do eclipse total da "lua vermelha"...
Cansei-me com a busca inútil e, sem que eu percebesse, Morfeu se aproximou sorrateiramente e sem nenhuma contemplação.
Dormi!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tempo

Prosa e mais prosa