Caminhando

Mar verde-esmeralda, no canal a água parece de piscina e pelo caminho nenhum caco de vidro. Que alegria!
 
Sopra um vento gelado que nem mesmo a manhã ensolarada ameniza. 
 
A criança que jamais me abandona vai catando conchinhas, escolhendo-as a dedo. 
 
Na mureta do Canal 5 um bando de garças, talvez mais de uma família em dia de piquenique. 
 
Bem mais adiante, lá pras bandas do Canal 6, um albatroz solitário em vôo rasante em busca de alimento.
 
Adiante, quase chegando lá, a rara figura de uma gaivota almoçando as carnes de um bagre na beira do mar (sim, fotos!). 
 
Ultrapassado o canal, um pequeno cão corre os urubus. 
 
Bêbado como um gambá, o jovem me assusta e interrompe o alinhavo do texto acima com seu vozeirão.
 
Aproxima-se, pede desculpas e estende uma caixinha de papelão com uma abertura no topo e que eu pensei que fosse para colocar esmola. 
 
Não! Foi o que eu disse secamente ao pobre coitado que estava querendo cambiar um pacote de jujubas por alguns trocados. 
 
Arrependido, pedi a ele que esperasse um instante, para eu concluir o que estava escrevendo. 
 
Mais uma palavra apenas e enviei o conteúdo digitado no celular. 
 
Guardei o telefone, que na praia é minha máquina de escrever e de fotografar, peguei a carteira e dei a ele o “trocado” que o encantou. 
 
Disse-me ele que viera de Ribeirão Preto. Brigara com a mãe e saíra de casa. 
 
-Com a mãe não se briga – disse-lhe. 
 
-Não, foi com minha irmã. 
 
 -Bem, com a irmã pode... 
 
Estendi a mão, peguei o pacotinho de jujubas e ele saiu feliz da vida dando graças e distribuindo bênçãos.
 
Sim, eu sei que você quer saber dos outros caminhantes meus conhecidos... 
 
Não vi ninguém! Talvez fosse o horário, pois fui primeiro à feira e cheguei na praia quase no horário em que costumo estar voltando. 
 
Quem sabe, amanhã! 
 
Na volta, continuava por lá o primo do Fernão Capelo... Gaivota. 
 
Carlos Gama. 
25/5/2022 13:13:25

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