Um dia de outono

Faz frio nesta manhã ensolarada na beira do mar. 
Conchas e mais conchinhas, cacos de vidro e o azul impecável do firmamento. 
Entre um caco de vidro e outro recolhidos, o cumprimento do "GS" que vai passando (encontrei-o novamente na volta). 
Sai-se da beira do mar para descartar os cacos na lixeira e aproveita-se a proximidade do banheiro. Faz frio, os pés na água gelada induzem... 
Segue a caminhada, “peço licença” e recolho uma conchinha que vai parar no bolso da bermuda. 
Mar cor de esmeralda; mais um caco, dois, três e é preciso buscar uma lixeira lá na calçada, para descartar o vidro cortante. 
Na volta abordo a “senhora dos olhos verdes” (Agora ela tem nome), que hoje caminhava calçada e no seco. Chega de tratar os conhecidos pelos apelidos colocados à distância. Justifico-me lembrando a conversa com Escandon dias atrás. Ela diz que seu nome é difícil, mas eu entendi na segunda repetição e gravei através da associação com outro. Disse-lhe o meu. Falei a ela sobre o “Lawrence da Arábia” (descrevo-o) e ela me diz que ele sumiu da praia. Realmente! Despedimo-nos e seguimos cada um para um lado. Rever-nos-emos amanhã. Agora somos mais próximos. Preocupo-me com esses companheiros de caminhada, mesmo que só nos conheçamos à distância e através de cumprimentos e sorrisos. Quando não os encontro - depois de dois ou três dias de caminhada - fico pensando no que poderá ter havido. Será que tem família? Estarão doentes? 
Encontro a Verinha e nos estendemos em prosa na beira da água. Como é bom prosear! 
Prosseguimos. Eu em direção da Ponta da Praia e ela do Boqueirão (revimo-nos na volta). 
O cão sem coleira avança sobre o outro, pequeno, que passa atrelado, na calçada, enquanto o dono, impassível, não desgruda os olhos do celular. 
Enquanto estou aqui conversando com você, vou dando um gole e outro na água de coco. Volta a senhora simpática com o cachorrinho que comanda a cena e o passeio. Mais umas duas fotos para compartilhar com os amigos, que algumas vezes estão muito distantes... Em São Paulo, em Minas Gerais e até em outros países, como a prima Sandra. 
Onze e vinte! É hora de retomar o caminho de volta, para cuidar do almoço. 
Uma passada no banheiro ao lado do posto de salvamento e lá vamos nós... 
O almoço que espere mais um pouquinho, porque eu vou me sentar aqui no Boqueirão para tomar um cafezinho. 
Decido tomar a vacina da gripe! Sim, eu sou de lua! Mudou anteontem...
 
Carlos Gama. 
24/5/2022 11:23:20

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